Aumentar a eficácia do tratamento do carcinoma hepatocelular (CHC) é uma prioridade constante, e os debates durante o EASL Liver Cancer Summit 2026 reforçaram como a medicina personalizada e a abordagem multidisciplinar estão transformando o cuidado ao paciente.
Neste contexto, a combinação de atezolizumabe e bevacizumabe (A+B) se consolidou como um marco terapêutico fundamental na primeira linha de CHC avançado. A Dra. Aline Chagas, hepatologista e especialista na área, apresenta os destaques mais relevantes do evento, que abordaram desde insights sobre o microambiente tumoral até o papel de tecnologias emergentes como a inteligência artificial no manejo do CHC.
Estudos recentes estão aprofundando nosso entendimento sobre microambiente tumoral é um determinante crítico da resposta clínica:
Linfócitos T CD8⁺ (OS-2-YI): A proximidade dessas células com células tumorais foi associada a melhores respostas ao regime A+B.
Macrófagos TREM2⁺ (OS-2-YI): macrófagos identificados como indicadores de resistência ao tratamento, podendo emergir como alvos estratégicos em novas abordagens terapêuticas .
Razão Neutrófilo-Linfócito (RNL) (PO7-3-YI): Pacientes com RNL basal elevada (≥3) ao início do tratamento com A+B apresentam pior prognóstico, uma sobrevida global de 14,4 meses em comparação a 28,9 meses em pacientes com RNL baixa. Além disso, esses pacientes demonstraram maior risco de progressão tumoral .
Esses achados reforçam como a biologia do tumor pode ser explorada para personalizar ainda mais o manejo clínico, guiando decisões terapêuticas com biomarcadores precisos.
Os avanços recentes apresentados no EASL Liver Cancer Summit 2026 destacaram o papel crescente da tecnologia e da imunoterapia no manejo do CHC:
Inteligência Artificial (PO4-13-YI): Modelos de deep learning já são capazes de prever precocemente a progressão da doença, possibilitando decisões mais precisas e personalizadas para garantir o melhor resultado terapêutico.
Terapia de Conversão (PO6-14): A imunoterapia está ganhando destaque como uma estratégia promissora para tornar viáveis cirurgias de ressecção em pacientes inicialmente irressecáveis.
Sobrevida global: 81% em cinco anos após a conversão.
Sobrevida livre de recorrência: 58% em cinco anos.
Necrose tumoral completa: Observada em 36% das peças cirúrgicas.
Correlação entre respostas radiológicas e patológicas após imunoterapia neoadjuvante (PO7-3-YI): Uma resposta patológica significativa (necrose ≥90%) foi atingida em 24% dos casos, demonstrando alta concordância entre a patologia e as avaliações por RECIST e mRECIST.
Esses achados reforçam o papel emergente da imunoterapia como ponte para estratégias potencialmente curativas, especialmente em pacientes inicialmente considerados irressecáveis, consolidando sua relevância no manejo integrado do CHC.
A importância da assistência integrada ao paciente com CHC foi destacada no pôster PO7-4, o acompanhamento em clínicas multidisciplinares especializadas esteve associado a melhores desfechos clínicos em pacientes com CHC tratados com A+B. Os principais benefícios observados incluem:
Melhora na sobrevida livre de progressão e maior taxa de controle da doença, maximizando resultados do tratamento com A+B.
Melhor manejo de eventos adversos: A interação entre hepatologistas e oncologistas permite maior monitoramento de toxicidades, favorecendo a segurança e ampliando o tempo de adesão ao tratamento.
O papel integrado de oncologistas e hepatologistas em ambientes especializados tem se mostrado indispensável para alcançar resultados clínicos otimizados.
Os resultados da coorte IMreal Cohort 6 (PO4-10) reafirmam a eficácia e segurança de A+B fora do ambiente controlado de ensaios clínicos:
470 pacientes com CHC irressecável tratados com A+B apresentaram:
Sobrevida global mediana: 14,5 meses
Taxa de sobrevida em dois anos: 32%
Taxa de resposta objetiva: 28,8%.
Nos pacientes que preenchiam os critérios de elegibilidade do estudo IMbrave150, a sobrevida global mediana foi ainda maior, atingindo 16,6 meses.
Esses resultados validam a consistência e robustez do regime A+B, demonstrando seu impacto positivo na prática clínica diária, mesmo fora das condições rígidamente controladas dos estudos clínicos.
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