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Avanços da combinação de atezolizumabe e bevacizumabe no tratamento do Carcinoma Hepatocelular com a Dra. Aline Chagas.

Oncologia
22 janeiro 2026 - 24 janeiro 2026

Aumentar a eficácia do tratamento do carcinoma hepatocelular (CHC) é uma prioridade constante, e os debates durante o EASL Liver Cancer Summit 2026 reforçaram como a medicina personalizada e a abordagem multidisciplinar estão transformando o cuidado ao paciente.

Neste contexto, a combinação de atezolizumabe e bevacizumabe (A+B) se consolidou como um marco terapêutico fundamental na primeira linha de CHC avançado. A Dra. Aline Chagas, hepatologista e especialista na área, apresenta os destaques mais relevantes do evento, que abordaram desde insights sobre o microambiente tumoral até o papel de tecnologias emergentes como a inteligência artificial no manejo do CHC.

Microambiente tumoral como fonte de biomarcadores preditivos

Estudos recentes estão aprofundando nosso entendimento sobre microambiente tumoral é um determinante crítico da resposta clínica:

  • Linfócitos T CD8⁺ (OS-2-YI): A proximidade dessas células com células tumorais foi associada a melhores respostas ao regime A+B.

  • Macrófagos TREM2⁺ (OS-2-YI): macrófagos identificados como indicadores de resistência ao tratamento, podendo emergir como alvos estratégicos em novas abordagens terapêuticas .

  • Razão Neutrófilo-Linfócito (RNL) (PO7-3-YI): Pacientes com RNL basal elevada (≥3) ao início do tratamento com A+B apresentam pior prognóstico, uma sobrevida global de 14,4 meses em comparação a 28,9 meses em pacientes com RNL baixa. Além disso, esses pacientes demonstraram maior risco de progressão tumoral .

Esses achados reforçam como a biologia do tumor pode ser explorada para personalizar ainda mais o manejo clínico, guiando decisões terapêuticas com biomarcadores precisos.

Inovações Futuras: Inteligência Artificial e Terapia de Conversão

Os avanços recentes apresentados no EASL Liver Cancer Summit 2026 destacaram o papel crescente da tecnologia e da imunoterapia no manejo do CHC:

  • Inteligência Artificial (PO4-13-YI): Modelos de deep learning já são capazes de prever precocemente a progressão da doença, possibilitando decisões mais precisas e personalizadas para garantir o melhor resultado terapêutico.

  • Terapia de Conversão (PO6-14): A imunoterapia está ganhando destaque como uma estratégia promissora para tornar viáveis cirurgias de ressecção em pacientes inicialmente irressecáveis.

    • Sobrevida global: 81% em cinco anos após a conversão.

    • Sobrevida livre de recorrência: 58% em cinco anos.

    • Necrose tumoral completa: Observada em 36% das peças cirúrgicas.

  • Correlação entre respostas radiológicas e patológicas após imunoterapia neoadjuvante (PO7-3-YI): Uma resposta patológica significativa (necrose ≥90%) foi atingida em 24% dos casos, demonstrando alta concordância entre a patologia e as avaliações por RECIST e mRECIST. 

Esses achados reforçam o papel emergente da imunoterapia como ponte para estratégias potencialmente curativas, especialmente em pacientes inicialmente considerados irressecáveis, consolidando sua relevância no manejo integrado do CHC.

Multidisciplinaridade: Um Pilar para o Sucesso no Manejo do CHC

A importância da assistência integrada ao paciente com CHC foi destacada no pôster PO7-4, o acompanhamento em clínicas multidisciplinares especializadas esteve associado a melhores desfechos clínicos em pacientes com CHC tratados com A+B. Os principais benefícios observados incluem:

  • Melhora na sobrevida livre de progressão e maior taxa de controle da doença, maximizando resultados do tratamento com A+B.

  • Melhor manejo de eventos adversos: A interação entre hepatologistas e oncologistas permite maior monitoramento de toxicidades, favorecendo a segurança e ampliando o tempo de adesão ao tratamento.

O papel integrado de oncologistas e hepatologistas em ambientes especializados tem se mostrado indispensável para alcançar resultados clínicos otimizados.

Evidências do Mundo Real: IMreal Cohort 6

Os resultados da coorte IMreal Cohort 6 (PO4-10) reafirmam a eficácia e segurança de A+B fora do ambiente controlado de ensaios clínicos:

  • 470 pacientes com CHC irressecável tratados com A+B apresentaram: 

    • Sobrevida global mediana: 14,5 meses

    • Taxa de sobrevida em dois anos: 32%

    • Taxa de resposta objetiva: 28,8%. 

  • Nos pacientes que preenchiam os critérios de elegibilidade do estudo IMbrave150, a sobrevida global mediana foi ainda maior, atingindo 16,6 meses.

Esses resultados validam a consistência e robustez do regime A+B, demonstrando seu impacto positivo na prática clínica diária, mesmo fora das condições rígidamente controladas dos estudos clínicos.

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