Assista aos comentários do Dr. William William e confira os resumos dos dados científicos mais relevantes sobre as perspectivas do tratamento do câncer de pulmão.
O WCLC, sigla de World Conference on Lung Cancer (Conferência Mundial sobre Câncer de Pulmão), é o maior evento científico internacional dedicado exclusivamente à pesquisa, à prevenção e ao tratamento das neoplasias torácicas. Promovido pela IASLC, sigla de International Association for the Study of Lung Cancer, o congresso reúne anualmente milhares de oncologistas, cirurgiões torácicos, patologistas e pesquisadores de todo o mundo.1
A edição de 2026 ocorreu entre os dias 12 e 15 de setembro, no Centro de Convenções COEX, em Seul, Coreia do Sul. O programa científico do evento destacou os principais avanços com anticorpos bioespecíficos (como ivonescimabe), conjugados anticorpo-droga (ADCs) de nova geração e a aplicação de inteligência artificial na oncologia de precisão.1
Confira, nos vídeos a seguir, os principais destaques do evento apresentados pelo Dr. William N. William Jr.
Desenho: randomizado, doença limitada e extensa, RM vigilância versus RM + radioterapia profilática craniana (PCI).
Resultados: PCI associada à maior deterioração cognitiva; sem diferença em sobrevida global entre grupos. Vigilância por RM isolada é preferida para minimizar toxicidade neurológica.
Implicação: mudança de paradigma — resgate radioterápico reservado para progressão documentada.
Desenho: fase 3 randomizada, ADCs anti-B7H3 versus topotecano em CPPC extensa previamente tratada (população chinesa).
Resultados: HR=0,4 para sobrevida global (redução de 60% no risco de morte); perfil de segurança manejável.
Implicação: eficácia expressiva em um cenário pré-tratado e historicamente desafiador.
Desenho: ADC anti-B7H3 (Elfidi) combinado com anticorpo bioespecífico anti-VEGF/PD-1 (Pumitamig) em CPPC.
Resultados: taxa de resposta ~70% em doença geral; até 90% em pacientes virgens de tratamento (1ª linha).
Implicação: abordagem sinérgica emerge como estratégia promissora, especialmente em 1ª linha.
Desenho: avaliação de diferentes regimes de tarlatamabe (anticorpo bioespecífico da classe BiTE – bispecific T-cell engager): ampliação de intervalos (3 – 4 semanas) e desenvolvimento de formulação subcutânea.
Resultados: mantém eficácia com melhora de praticidade; reduz frequência de infusão endovenosa.
Benefício: expande acessibilidade clínica e conforto do paciente.
Desenho: osimertinibe adjuvante em estágios II – III com mutação EGFR; acompanhamento de longo prazo.
Resultados: sobrevida global 74% versus 58% (controle) mantida em 8 anos; benefício sustentado.
Consolidação: osimertinibe é padrão-ouro adjuvante em EGFR-mutado com durabilidade comprovada.
Desenho: terapia-alvo neoadjuvante (pré-operatória) em monoterapia com divarasibe (inibidor potente KRAS G12C).
Resultados: pCR 16%; MPR 42%.
Relevância: primeira abordagem neoadjuvante em KRAS G12C; permite downstaging antes da ressecção.
Desenho: alectinibe neoadjuvante em pacientes com fusão ALK.
Resultados: pCR 19%; MPR 56% (superior ao braço divarasibe).
Interpretação: ALK-positivo responde melhor à neoadjuvância com inibidor de segunda geração.
Desenho: esquema perioperatório com durvalumabe + quimioterapia em doença ressecável ou borderline ressecável.
Resultados: 62% dos pacientes inicialmente irressecáveis foram convertidos e submetidos à cirurgia.
Cautela: Dr. William enfatiza que seleção rigorosa de centros participantes pode limitar generalização. Resultados podem não ser reproduzíveis em todos os cenários.
Desenho: quimioterapia + atezolizumabe no cenário perioperatório (neoadjuvante e adjuvante).
Resultados: estatisticamente negativo, porém com ganhos numéricos em pCR e sobrevida livre de eventos.
Análise: sugere sinal de eficácia, mas sem atingir significância estatística predefinida.
Desenho: fase 2 de braço único, atezolizumabe de consolidação após quimiorradioterapia em CPNPC irressecável.
Resultados: viabilidade e eficácia comparáveis ao estudo pivotal PACIFIC (durvalumabe).
Contexto: confirma atividade de consolidação com inibidor de checkpoint, expandindo as opções terapêuticas pós-CRT.
Desenho: painel molecular desenvolvido para estágios iniciais (I – II), em que adjuvância não é rotineira.
Resultados: identifica subgrupos de mau prognóstico que se beneficiam de tratamento adjuvante.
Avanço: personaliza decisão de adjuvância em população historicamente tratada apenas com observação.
Desenho: análise de sobrevida global (SG) de amivantamabe (anticorpo bioespecífico anti-EGFR/MET) + quimioterapia em 1ª linha de CPNPC com inserção no éxon 20 do EGFR.
Resultados: confirmou impacto positivo em SG mesmo após ajuste estatístico para alta taxa de crossover.
Solidificação: amivantamabe consolidado como componente essencial em primeira linha éxon 20.
Desenho: fase 3 randomizada, zipalertinibe (TKI) + quimioterapia versus quimioterapia isolada em 1a linha EGFR éxon 20.
Resultados: ganho estatisticamente significativo em sobrevida livre de progressão.
Nota: sumvozertinibe em monoterapia também foi mencionado como opção emergente.
Desenho: inibidor seletivo de ROS1 testado em 1ª de pacientes ROS1+.
Resultados: taxa de resposta objetiva > 90%; excelente tolerabilidade.
Implicação: novo padrão potencial para ROS1+ com perfil segurança favorável.
Desenho: trastuzumabe deruxtecan (T-DXd, ADC anti-HER2) versus quimioimunoterapia em 1ª linha HER2-mutado.
Resultados: aumento relevante em sobrevida livre de progressão (SLP); taxa de resposta ~70%.
Marco: estabelece ADC como opção de primeira linha para mutações HER2-positivas.
Desenho: combinação tripla — amivantamabe + lazertinibe + pemetrexede em 1ª linha com mutação clássica EGFR (éxon 19/21).
Resultados: SLP em 18 meses: 66,7%; benefício adicional de ~20% em pacientes com comutação TP53.
Significado: inovação brasileira; synergy tripla em biologia agressiva (TP53-mutado).
Desenho: ADC testado em população pré-tratada com alterações genômicas incomuns (EGFR incomum, ALK, KRAS, RET, ROS1).
Resultados: taxa de resposta entre 25% e 40%.
Contexto: amplia arsenal para tumores raros com opções limitadas.
Desenho: ADC direcionado a EGFR em pacientes extensamente pré-tratados (múltiplas linhas prévias).
Resultados: taxa de resposta 33%.
Nicho: população desafiadora mantém potencial de resposta com ADC.
Desenho: ivonescimabe (anticorpo bioespecífico anti-PD-1/VEGF) versus pembrolizumabe em primeira linha, PD-L1 ≥ 1%.
Resultados: SG mediana 30 meses versus 22 meses (pembrolizumabe); benefício amplificado em PD-L1 ≥ 50% e histologia escamosa.
Paradigma: dupla inibição (PD-1 + VEGF) demonstra sinergia clínica superior.
Referência:
1. INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR THE STUDY OF LUNG CANCER (IASLC). World Conference on Lung Cancer: WCLC. Denver: IASLC, [2026]. Disponível em: https://www.iaslc.org/wclc. Acesso em: 1 out. 2026.
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