Skip to main content
Entenda a Esclerose Múltipla

Navegue pelas principais novidades, estudos e eventos relacionados a Esclerose Múltipla!

Esclerose Múltipla: o que entender sobre a doença, o tratamento e os cuidados ao longo do acompanhamento

Última atualização: Setembro de 2026

Conviver com esclerose múltipla pode trazer dúvidas em diferentes momentos. O que significa ter uma forma recorrente da doença? O que muda quando há progressão? Como funcionam os tratamentos? Quais cuidados precisam fazer parte da rotina?

Ter acesso a informações claras ajuda a organizar essas perguntas e pode tornar a conversa com o profissional de saúde mais produtiva.

A esclerose múltipla pode se apresentar de formas diferentes, incluindo formas recorrentes e a forma primária progressiva. Em adolescentes, também há referência à forma recorrente-remitente. A identificação da forma da doença faz parte da avaliação médica e ajuda a orientar as decisões de tratamento.

O que são as formas recorrentes de esclerose múltipla?

As formas recorrentes são aquelas em que a doença pode apresentar períodos de atividade ao longo do tempo. Entre elas, está a forma recorrente-remitente.

Toda pessoa com esclerose múltipla tem o mesmo tipo da doença?
Não. Existem diferentes formas de esclerose múltipla, e essa classificação faz parte da avaliação clínica. Isso é importante porque as características da doença podem influenciar a estratégia de acompanhamento e tratamento.

O que é a esclerose múltipla primária progressiva?

A esclerose múltipla primária progressiva é uma das formas da doença reconhecidas nas informações aprovadas de tratamento.

A forma da doença interfere na escolha do tratamento?
Sim. A indicação terapêutica pode variar de acordo com a forma da esclerose múltipla e, em alguns casos, também de acordo com idade e peso. Por isso, a definição do tratamento deve ser individualizada e feita pelo médico.

Como o sistema imunológico se relaciona com o tratamento?

Alguns tratamentos aprovados para esclerose múltipla atuam modulando a atividade do sistema imunológico. No tratamento que serve de base para este conteúdo, o mecanismo terapêutico exato não é totalmente conhecido, mas há uma ação relacionada a células do sistema imunológico chamadas linfócitos B.

Entender como o tratamento funciona é suficiente para saber se ele é adequado para mim?
Não. O mecanismo de ação é apenas uma parte da decisão. Também entram nessa avaliação a forma da doença, o histórico de saúde, a presença de infecções, o uso de outros medicamentos, a vacinação, a possibilidade de gravidez e outros fatores individuais.

Por que infecções exigem atenção durante o tratamento?

Tratamentos que interferem no sistema imunológico podem exigir atenção especial para infecções. Se houver uma infecção ativa, pode ser necessário adiar a administração até que ela seja resolvida. Também existem relatos de infecções graves em pacientes em tratamento.

Que tipo de alteração de saúde deve ser comunicada ao médico?
Mudanças no estado de saúde devem ser informadas à equipe de cuidado, especialmente quando surgem sintomas que possam sugerir infecção. Febre, alterações na pele, sintomas respiratórios, manifestações compatíveis com herpes ou mudanças neurológicas merecem avaliação profissional.

Vacinas precisam de planejamento?

Sim. Algumas vacinas precisam ser organizadas em relação ao início ou à continuidade do tratamento.

Vacinas vivas ou vivas-atenuadas podem exigir planejamento antes do início da terapia. Vacinas inativadas também podem precisar ser programadas em momento adequado.

Posso tomar qualquer vacina sem avisar meu médico?
Não. Durante tratamentos que modulam o sistema imunológico, a vacinação deve ser discutida com o profissional de saúde. Isso ajuda a definir o momento mais adequado para cada vacina.

Por que alguns exames podem ser acompanhados ao longo do tratamento?

O acompanhamento pode incluir exames relacionados ao sistema imunológico e à função do fígado.

Os níveis de imunoglobulinas, que são anticorpos presentes no organismo, podem ser monitorados durante e após o tratamento, especialmente em situações de infecções sérias recorrentes. Também pode ser necessário avaliar a função hepática antes do início e ao longo do acompanhamento.

Quais sinais podem indicar que o fígado precisa ser avaliado?
Cansaço, perda de peso, náusea, vômitos, dor abdominal, urina escura e amarelamento da pele são sinais que devem ser comunicados ao médico.

Reações durante a administração podem acontecer?

Sim. Dependendo da via de administração, podem ocorrer reações relacionadas à infusão intravenosa ou à injeção subcutânea. Essas reações podem surgir durante a administração ou até 24 horas depois.

Entre os sintomas descritos estão dor de cabeça, náusea, coceira, vermelhidão da pele e irritação na garganta. Em algumas situações, também podem ocorrer falta de ar, queda da pressão e outras manifestações que exigem avaliação da equipe de saúde.

Existe alguma forma de reduzir esse risco?
Em determinadas situações, são utilizados medicamentos antes da administração para reduzir a frequência e a intensidade dessas reações. O paciente também pode permanecer em observação após a aplicação, de acordo com a via utilizada e a orientação da equipe.

Gravidez e amamentação precisam ser discutidas antes do tratamento?

Sim. Gravidez, planejamento familiar, contracepção e amamentação devem fazer parte da conversa com o médico.

Mulheres com possibilidade de engravidar podem precisar utilizar método contraceptivo durante o tratamento e por um período após a última dose. Há também orientações específicas para uso durante a gravidez e a amamentação.

Estou planejando engravidar. Preciso avisar meu neurologista?
Sim. O planejamento da gravidez deve ser discutido antes e durante o tratamento. Também pode ser necessário conversar sobre vacinação do bebê, dependendo da exposição durante a gestação.

O tratamento da esclerose múltipla exige acompanhamento contínuo?

Sim. O acompanhamento médico é importante para avaliar a evolução da doença, a resposta ao tratamento e aspectos de segurança.

Ao longo desse processo, a equipe pode acompanhar sinais de infecção, exames laboratoriais, reações à administração e outras condições que possam influenciar a continuidade da terapia.

Posso interromper o tratamento por conta própria?
Não. A orientação é não interromper o tratamento sem conhecimento do médico.

O que vale a pena perguntar na próxima consulta?

Algumas perguntas podem ajudar a tornar a conversa mais objetiva: qual é a forma da minha esclerose múltipla? Quais são os objetivos do tratamento? Quais exames preciso acompanhar? Como devo organizar minhas vacinas? Quais sinais precisam ser comunicados rapidamente? Outros medicamentos que uso podem interferir no tratamento? Gravidez ou amamentação mudam a estratégia?

Ter essas perguntas em mente pode ajudar a participar de forma mais ativa das decisões sobre o cuidado.

Informação ajuda, mas não substitui a avaliação médica

Conteúdos educacionais podem ajudar a entender melhor a esclerose múltipla e a organizar dúvidas. Eles não substituem diagnóstico, prescrição ou acompanhamento profissional.

Medicamentos sujeitos a prescrição devem ser utilizados com orientação médica, e decisões sobre início, continuidade, mudança ou interrupção do tratamento devem ser tomadas junto ao profissional de saúde.

Ocrelizumabe IV e SC na esclerose múltipla: o que a enfermagem precisa saber?

Última atualização: Setembro de 2026

Conteúdo educacional destinado exclusivamente a enfermeiros.

O cuidado de pessoas com esclerose múltipla pode envolver terapias administradas por diferentes vias e que exigem atenção antes, durante e após a administração.

No caso do ocrelizumabe, existem formulações intravenosa (IV) e subcutânea (SC), com características específicas de preparo, administração e monitoramento.

Para a enfermagem, conhecer essas diferenças contribui para o cumprimento dos protocolos assistenciais, identificação de sinais de alerta e comunicação adequada com a equipe responsável.

 

O que é o ocrelizumabe e como ele atua?

O ocrelizumabe é um anticorpo monoclonal. Seu mecanismo terapêutico preciso na esclerose múltipla não é conhecido, mas supõe-se que envolva sua ligação ao CD20, antígeno presente na superfície de linfócitos pré-B e linfócitos B maduros.

Após essa ligação, ocorre depleção dessas células por mecanismos imunológicos.

Para o monitoramento das células B são utilizadas contagens de células CD19+, porque a presença do ocrelizumabe interfere no ensaio de CD20.

Por que isso importa para a enfermagem?

A atuação sobre células B torna especialmente relevantes aspectos como infecções, vacinação, imunoglobulinas e sinais clínicos que possam indicar eventos adversos.

Esses pontos fazem parte do acompanhamento de segurança descrito na bula profissional.

Ocrelizumabe IV e SC são administrados da mesma maneira?

Não. As formulações possuem doses, preparo, vias e procedimentos de administração diferentes.

Esse é um dos pontos mais importantes para a segurança assistencial.

 

Formulação IV

Formulação SC

Via

Intravenosa

Subcutânea

População descrita na bula

Adultos e pacientes pediátricos ≥12 anos e ≥40 kg, conforme indicação

Adultos

Dose inicial em adultos

300 mg IV + 300 mg IV duas semanas depois

920 mg SC

Doses subsequentes

600 mg IV a cada 6 meses

920 mg SC a cada 6 meses

Administração

Infusão IV

Injeção SC no abdômen

Duração

Depende do esquema de infusão

Aproximadamente 10 minutos

Principal evento relacionado à administração

Reação relacionada à infusão

Reação à injeção

A formulação SC não se destina à administração intravenosa. A bula orienta verificar o rótulo para assegurar que a formulação correta seja administrada pela via prescrita.

O que verificar antes da administração?

A avaliação começa antes de o medicamento ser administrado.

A bula estabelece avaliações prévias ao início do tratamento e cuidados relacionados às administrações subsequentes. Entre os pontos relevantes estão:

  • avaliação para infecção ativa;
  • teste para vírus da hepatite B antes do início;
  • avaliação quantitativa das imunoglobulinas;
  • avaliação das imunizações;
  • testes de função hepática;
  • pré-medicação conforme a formulação e a prescrição.

A presença de infecção ativa é particularmente relevante: a bula orienta postergar a administração até sua resolução.

A pré-medicação é igual para IV e SC?

Não. Os esquemas descritos na bula são diferentes.

Formulação IV

A bula recomenda pré-medicação com metilprednisolona ou corticosteroide equivalente por via intravenosa aproximadamente 30 minutos antes da infusão e um anti-histamínico aproximadamente 30–60 minutos antes.

A adição de um antipirético também pode ser considerada.

Formulação SC

Para a formulação SC, a bula estabelece como pré-medicações dexametasona oral ou equivalente e um anti-histamínico oral pouco antes da administração.

Um antipirético também pode ser considerado.

Ponto de segurança: os protocolos de uma formulação não devem ser automaticamente aplicados à outra.

O que observar durante uma infusão IV?

O ocrelizumabe IV pode causar reações relacionadas à infusão (RRIs).

Os sinais e sintomas descritos incluem:

prurido • rash • urticária • eritema • irritação da garganta • dor orofaríngea • dispneia • edema faríngeo ou laríngeo • rubor • hipotensão • febre • fadiga • cefaleia • tontura • náusea • taquicardia • anafilaxia

Nos estudos clínicos de esclerose múltipla em adultos, a incidência de reações à infusão foi de 34% a 40%, com maior incidência na primeira infusão.

Por quanto tempo o paciente deve ser observado após a infusão IV?

A bula orienta observar o paciente durante a infusão e por pelo menos uma hora após seu término.

Também é importante orientar que uma reação relacionada à infusão pode ocorrer até 24 horas após a administração.

O que observar durante uma administração SC?

Na formulação subcutânea, o foco passa para as reações à injeção (RIs), que podem ser locais ou sistêmicas.

Reações locais

Entre os sintomas comuns descritos estão:

eritema • dor • inchaço • prurido no local da injeção

Reações sistêmicas

Entre os sintomas comuns estão:

cefaleia • náusea

As reações podem ocorrer durante a administração ou dentro das 24 horas seguintes.

Onde a formulação SC é administrada?

A dose deve ser administrada por via subcutânea no abdômen, em aproximadamente 10 minutos.

O local deve excluir a região de 5 cm ao redor do umbigo.

A bula também orienta não administrar em áreas nas quais a pele esteja avermelhada, machucada, sensível ou endurecida, nem em áreas com verrugas ou cicatrizes.

O paciente precisa permanecer em observação após a administração SC?
  • Para a dose inicial, recomenda-se monitoramento pós-injeção por pelo menos uma hora, com acesso a suporte médico apropriado para manejo de reações graves.
  • Para doses subsequentes, a necessidade de monitoramento pós-injeção fica a critério do médico responsável pelo tratamento.
Como diferenciar o manejo de uma reação IV e SC?

A gravidade da reação orienta a conduta, mas existem diferenças importantes entre as vias.

IV: dependendo da gravidade, pode ser necessário reduzir a velocidade, interromper temporariamente ou interromper definitivamente a infusão.

SC: diante de uma reação grave, a injeção deve ser interrompida e o paciente deve receber tratamento sintomático; a administração só deve ser concluída após a resolução de todos os sintomas.

Em ambas as formulações, sinais de uma reação com risco à vida exigem interrupção imediata e descontinuação permanente do tratamento, conforme as orientações da bula.

Além das reações à administração, quais sinais merecem atenção?

O acompanhamento não termina com a administração.

A bula apresenta advertências relacionadas a infecções, reativação do vírus da hepatite B, redução de imunoglobulinas, LEMP, malignidades, colite imunomediada e lesão hepática, entre outras.

Infecções

Sinais e sintomas de infecção devem ser valorizados e comunicados à equipe responsável.

Herpes

A bula alerta para infecções causadas pelo vírus do herpes, inclusive casos graves. Febre, manifestações cutâneas, dor, coceira, alterações visuais, cefaleia, rigidez de pescoço ou alteração do estado mental estão entre os sinais descritos que justificam contato com um profissional de saúde.

Possível LEMP

Fraqueza progressiva em um lado do corpo, falta de coordenação dos membros, alterações visuais e mudanças no pensamento, memória, orientação ou personalidade estão entre os sintomas descritos.

Esses sinais não confirmam o diagnóstico, mas requerem avaliação apropriada.

Possível colite imunomediada

Diarreia nova ou persistente e outros sinais ou sintomas gastrointestinais merecem avaliação.

Possível lesão hepática

Fadiga nova ou agravada, anorexia, náuseas, vômitos, desconforto abdominal superior direito, urina escura ou icterícia estão entre os sinais descritos na bula.

Por que monitorar imunoglobulinas?

A redução dos níveis de imunoglobulinas é observada com terapias de depleção de células B.

Dados agrupados apresentados na bula demonstraram associação entre IgG abaixo do limite inferior da normalidade e aumento das taxas de infecções sérias.

Por isso, a bula recomenda monitorar quantitativamente as imunoglobulinas durante o tratamento e após sua descontinuação até a repleção das células B, com atenção especial diante de infecções graves recorrentes.

E quanto às vacinas?

O planejamento vacinal também merece atenção.

A bula orienta administrar as imunizações necessárias de acordo com as diretrizes aplicáveis:

Vacinas vivas ou vivas atenuadas: pelo menos 4 semanas antes do início do tratamento.

Vacinas inativadas: sempre que possível, pelo menos 2 semanas antes.

Vacinas vivas ou vivas atenuadas não são recomendadas durante o tratamento e até a repleção das células B.

Checklist educacional para a enfermagem

Antes
✓ Confirmar paciente, prescrição, formulação e via.
✓ Verificar os requisitos previstos no protocolo institucional.
✓ Identificar sinais de possível infecção ativa.
✓ Confirmar a pré-medicação prescrita correspondente à formulação.
✓ Verificar condições adequadas para administração e manejo de possíveis reações.

 

Durante
✓ Seguir rigorosamente o protocolo correspondente à via IV ou SC.
✓ Monitorar sinais e sintomas de reação relacionada à administração.
✓ Registrar intercorrências e intervenções realizadas.
✓ Comunicar alterações clínicas à equipe responsável.

 

Depois
✓ Cumprir o período de observação aplicável.
✓ Orientar sobre a possibilidade de reações até 24 horas após a administração.
✓ Reforçar quais sinais devem ser comunicados à equipe assistencial.
✓ Documentar a administração e os achados relevantes.

 

Ocrevus® (ocrelizumabe)
Indicações, mecanismo de ação, eficácia, segurança e administração

Última atualização: Setembro de 2026

Ocrevus® (ocrelizumabe) é um anticorpo monoclonal indicado para o tratamento de formas recorrentes de esclerose múltipla (EMR) e esclerose múltipla primária progressiva (EMPP). A formulação intravenosa também é indicada para pacientes pediátricos com idade ≥12 anos, peso ≥40 kg e esclerose múltipla recorrente-remitente (EMRR).

Como o ocrelizumabe atua na esclerose múltipla?

O mecanismo preciso pelo qual o ocrelizumabe exerce seus efeitos terapêuticos na esclerose múltipla é desconhecido. A bula descreve que se supõe que o mecanismo envolva a ligação ao CD20, antígeno de superfície presente nos linfócitos pré-B e linfócitos B maduros.

Após essa ligação, o ocrelizumabe causa citólise celular dependente de anticorpo e lise mediada por complemento.

Como a presença de Ocrevus® interfere no ensaio de CD20, a avaliação das células B utiliza células CD19+. O tratamento reduz as contagens de células B CD19+ no sangue 14 dias após a administração.

Em resumo: ocrelizumabe é uma terapia anti-CD20 associada à redução de células B CD19+ circulantes, embora o mecanismo preciso responsável pelo efeito terapêutico na EM permaneça desconhecido.

Qual é a eficácia de Ocrevus® nas formas recorrentes da esclerose múltipla?

Nos Estudos 1 e 2, randomizados, duplo-cegos e controlados por comparador ativo, Ocrevus® 600 mg a cada 24 semanas foi comparado a REBIF 44 mcg três vezes por semana durante 96 semanas.

 

Ocrevus®

REBIF

Redução relativa

Estudo 1

0,156

0,292

46%

Estudo 2

0,155

0,290

47%

A taxa de recidiva anual, desfecho primário, foi:

Nos dois estudos, p<0,0001.

Na análise agrupada dos Estudos 1 e 2, a proporção de pacientes com progressão de incapacidade confirmada em 12 semanas foi de 9,8% com Ocrevus® versus 15,2% com REBIF, correspondendo a redução de risco de 40% (p=0,0006).

Também foram observadas diferenças nos desfechos de ressonância magnética. A redução relativa do número médio de lesões realçadas por gadolínio em T1 foi de 94% no Estudo 1 e 95% no Estudo 2. Para lesões hiperintensas novas e/ou em aumento em T2, as reduções relativas foram de 77% e 83%, respectivamente. A tabela e o gráfico de Kaplan-Meier da página 3 da bula apresentam esses resultados.

O que esses resultados significam?

Os estudos demonstraram redução estatisticamente significativa da taxa anual de recidiva e da proporção de pacientes com progressão de incapacidade confirmada em 12 semanas em comparação com REBIF, além de reduções nos desfechos de atividade de doença avaliados por RM.

Ocrevus® na EMPP: quais são as evidências?

No Estudo 3, pacientes com esclerose múltipla primária progressiva foram randomizados em proporção 2:1 para Ocrevus® ou placebo.

A proporção de pacientes com progressão de incapacidade confirmada em 12 semanas foi:

Ocrevus®: 32,9%
Placebo: 39,3%

Isso correspondeu a redução de risco de 24% (p=0,0321).

A alteração média no volume das lesões T2 desde o basal até a Semana 120 foi de −0,39 cm³ com Ocrevus® versus +0,79 cm³ com placebo (p<0,0001).

Na população geral, agravamento de 20% na caminhada cronometrada de 25 pés, confirmado em 12 semanas, ocorreu em 49% dos pacientes tratados com Ocrevus® versus 59% com placebo, correspondendo a redução de risco de 25%. Esses resultados e o Kaplan-Meier correspondente aparecem nas páginas 4–5 da bula.

Ocrevus® pode ser utilizado na esclerose múltipla pediátrica?

Sim, para a formulação intravenosa e dentro da indicação aprovada: pacientes pediátricos com idade ≥12 anos e peso ≥40 kg, com EM recorrente-remitente.

No Estudo 5, Ocrevus® foi comparado ao fingolimode em pacientes pediátricos. O estudo demonstrou não inferioridade na taxa de recidiva anual e superioridade na redução da taxa anualizada de novas lesões/aumento das lesões T2 e no número de lesões T1 com realce por gadolínio na Semana 12.

Um ponto crítico para uma comunicação HCP equilibrada: a própria bula ressalta que a superioridade clínica no desfecho primário de surtos não foi estabelecida. O intervalo de confiança da razão de taxas incluiu a possibilidade de ausência de diferença entre os tratamentos.

Além disso, a evidência clínica direta em pacientes de 12–13 anos é limitada, e permanecem incertezas sobre a magnitude do efeito clínico e o perfil de segurança nas populações pediátricas mais jovens.

Ocrevus® IV e Ocrevus® SC: quais são as diferenças de administração?

Para adultos, Ocrevus® possui formulações intravenosa e subcutânea, com esquemas de administração distintos.

Ocrevus® IV: dose inicial de 300 mg IV, seguida de uma segunda infusão de 300 mg duas semanas depois. As doses subsequentes são de 600 mg IV a cada 6 meses.

Em adultos que não apresentaram reação relacionada à infusão séria em qualquer infusão anterior, as doses subsequentes podem ser administradas por uma opção de infusão mais curta, de aproximadamente 2 horas.

Ocrevus® SC: dose recomendada de 920 mg por via subcutânea a cada 6 meses, administrada no abdômen em aproximadamente 10 minutos. Não é necessária divisão da dose inicial. Deve ser mantido intervalo mínimo de 5 meses entre as doses.

Ocrevus® SC é de uso adulto; sua segurança e eficácia em pacientes pediátricos não foram estabelecidas.

O que avaliar antes de iniciar Ocrevus®?

A bula estabelece avaliações importantes antes do início do tratamento, incluindo:

  • triagem para HBV;
  • dosagem quantitativa sérica de imunoglobulinas;
  • planejamento das imunizações;
  • testes de função hepática, incluindo ALT, AST, fosfatase alcalina e bilirrubina.

Antes de cada infusão IV, deve-se avaliar a presença de infecção ativa; nesse caso, a administração deve ser postergada até sua resolução.

Quais riscos devem ser considerados durante o tratamento?

A comunicação de segurança deve acompanhar a de eficácia. Entre os temas abordados nas advertências e precauções da bula estão reações à infusão/injeção, infecções, reativação de HBV, vacinação, LEMP, redução de imunoglobulinas, malignidades, colite imunomediada e lesão hepática.

Nos dados agrupados de estudos de Ocrevus® IV em adultos e suas extensões abertas, com aproximadamente 7 anos de exposição, níveis de IgG abaixo do limite inferior da normalidade foram associados a aumento das taxas de infecções sérias. A bula orienta monitoramento quantitativo das imunoglobulinas durante o tratamento e após a descontinuação até a repleção das células B, particularmente no contexto de infecções graves recorrentes.

FAQ para HCPs
Ocrevus® é uma terapia anti-CD20?

O ocrelizumabe liga-se ao CD20 presente em linfócitos pré-B e B maduros. O mecanismo terapêutico preciso na esclerose múltipla é desconhecido.

Qual é o intervalo entre as doses de Ocrevus®?

Após o esquema inicial da formulação IV, as doses subsequentes em adultos são administradas a cada 6 meses. Ocrevus® SC é administrado em dose única de 920 mg a cada 6 meses. Deve ser respeitado intervalo mínimo de 5 meses conforme as instruções da bula.

É necessário testar hepatite B antes de Ocrevus®?

Sim. A bula determina teste para HBV antes do início do tratamento. Infecção ativa por HBV é uma contraindicação.

É necessário avaliar imunoglobulinas?

Sim. A bula determina dosagem quantitativa sérica de imunoglobulinas antes do início e recomenda monitoramento durante o tratamento e após sua descontinuação até a repleção das células B.

Vacinas vivas podem ser administradas durante o tratamento?

A vacinação com vacinas vivas ou vivas atenuadas não é recomendada durante o tratamento e até a repleção das células B.

Ocrevus® SC pode ser utilizado em pacientes pediátricos?

Não há indicação pediátrica aprovada para Ocrevus® SC na bula fornecida. A indicação pediátrica descrita refere-se à formulação intravenosa, em pacientes ≥12 anos e ≥40 kg com EMRR.

Referências:

  1. Hauser SL, et al. The Patient Impact of 11 Years of Ocrelizumab Treatment in Multiple Sclerosis: Long-Term Data from the Phase III OPERA and ORATORIO Studies). Poster P1664 presented at 40th Congress of the European Committee for Treatment and Research in Multiple Sclerosis (ECTRIMS); 18–20 September 2024; Copenhagen, Denmark.
  2. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). RESOLUÇÃO-RE No 2.890, DE 31 DE JULHO DE 2025 e RESOLUÇÃO-RE No 1.671, DE 29 DE ABRIL DE 2025.4. Dornan D, et al. Blood 2009;114:2721–29;
  3. Butzkueven H, Spelman T, Horakova D, et al. Risk of requiring a wheelchair in primary progressive multiple sclerosis: Data from the ORATORIO trial and the MSBase registry. Eur J Neurol.2021. Mar 16. doi: 10.1111/ene.14824.
Você tem certeza?
Restricted

Bookmarking is available only for logged-in users.

Registar Iniciar sessão